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Leilão de distribuidoras da Eletrobras garante investimento de R$ 668 mi

AUTOR: RICARDO CASARIN FONTE DCI (SP) 

Mesmo sem bônus de outorga, a privatização das três companhias responsáveis pelo serviço de distribuição nos estados do Acre, Rondônia e Roraima foi bem avaliada pelo mercado

ENERGIA ELÉTRICA
São Paulo

Mesmo sem bônus de outorga, a privatização das três distribuidoras da Eletrobras foi considerada bem-sucedida pelo mercado. Na soma, as empresas responsáveis pelo serviço nos estados do Acre, Rondônia e Roraima receberão investimento inicial da ordem de R$ 668 milhões. “O leilão foi positivo porque traz a possibilidade de novos investimentos na rede e melhora da qualidade do serviço. Esse foi o principal resultado, mais do que deságio ou qualquer valor dos arremates”, afirma o analista regulatório da Ecom Energia, Rafael Bozzo.

Nesta quinta-feira (30), foram leiloadas na Bolsa paulista (B3) as distribuidoras Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre) e Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), ambas adquiridas pelo grupo Energisa, além da Boa Vista Energia (Roraima), comprada pelo consórcio Oliveira Energia. Ao contrário da privatização da Cepisa (distribuidora do Piauí), que rendeu R$ 95 milhões de bônus de outorga ao governo, os três arremates garantiram apenas o compromisso de aportes e de assumir parte das dívidas das companhias. Apenas no Acre e em Rondônia haverá redução de tarifa, de 3,7% e 1,75%, respectivamente.

Para o professor de economia do Ibmec/SP, Walter Franco, a maior importância do leilão foi possibilitar a melhora dos serviços. “Mais do que reduzir dívidas, é preciso buscar ganhos de eficiência, transferir benefícios para a sociedade e reduzir tarifas. Nesse sentido, o processo realizado pelo Eletrobras parece ter sido bem-sucedido.” A exemplo do que ocorreu com a Cepisa, cada uma das distribuidoras recebeu apenas um lance. O presidente da Energisa, Ricardo Botelho, declarou em coletiva de imprensa após o leilão que vê os estados do Acre e Rondônia como mercados crescentes e admitiu que a possibilidade de atuar em sinergia com demais projetos da empresa foi um fator de atratividade.

“Atuamos no Centro-Oeste desde 2014 e nossa experiência nos credenciou a avançar. Vamos tentar obter o máximo de sinergia com nossas atuações no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O Acre e Rondônia podem se beneficiar disso”, avalia. O presidente do Consórcio Oliveira Energia, Orsine Oliveira, destacou o fato do grupo ser conhecedor da região. Especializado em geração, a Boa Vista Energia será seu primeiro empreendimento em distribuição. “Nossa missão é levar qualidade para o povo de Roraima, que sofre com a crise da Venezuela”, disse. Fora do Sistema Integrado Nacional (SIN), o estado é dependente do país vizinho para seu abastecimento de energia. Oliveira revelou planos de expandir a geração para garantir maior autonomia à região.

Próximo leilão

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., se mostrou confiante que o projeto de lei que regulamenta a privatização das distribuidoras será aprovado pelo Senado em breve, garantindo a realização do próximo certame, da Amazonas Distribuidora de Energia, previsto para 26 de setembro. “O relatório já foi concluído, nos mesmos termos em que foi aprovado na Câmara. Creio que será encaminhado para votação em breve”, disse.

Além da empresa do Amazonas e das quatro distribuidoras já vendidas, há a questão da Eletrobras Distribuição Alagoas (Ceal), cuja privatização está suspensa em virtude de decisão judicial. Ainda não há previsão para a resolução do imbróglio. A Energisa revelou que não participará do próximo leilão. “Não analisamos o suficiente e ficou muito próximo para tomar a decisão. Em relação à Ceal, não vamos nos manifestar enquanto não houver decisão definitiva”, declarou Botelho. Já Oliveira foi vago em relação à disputa pela Amazonas. “Vamos tomar a decisão mais perto do leilão.”