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Lucro da Eletrobras despenca 96% no primeiro trimestre

FONTE O GLOBO 

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-RIO, BRASÍLIA E NOVA YORK- A Eletrobras teve lucro líquido de R$ 56 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que representou queda de 96% em relação a igual período de 2017, quando a companhia teve ganho de R$ 1,4 bilhão. O maior impacto negativo veio das perdas das seis distribuidoras de energia das regiões Norte e Nordeste, que a estatal pretende vender até julho. Os prejuízos do segmento somaram R$ 1,9 bilhão, com destaque para a Amazonas Distribuição, que respondeu sozinha por perdas de R$ 1,3 bilhão entre janeiro e março. No primeiro trimestre do ano passado, o prejuízo das distribuidoras foi de R$ 1 bilhão. Também contribuíram para a queda do lucro as provisões para baixas contábeis, que totalizaram R$ 2,5 bilhões.

Já a receita operacional líquida gerenciada da estatal aumentou 6%, chegando a R$ 7,1 bilhões no primeiro trimestre do ano. Os investimentos entre janeiro e março somaram R$ 873 milhões, uma redução de 2,7% em relação a igual período do ano passado, quando foi investido R$ 1,2 bilhão. Já a venda de energia cresceu 5,8% no período.

Para Rodrigo Leite, sócio do escritório Leite Roston Advogados, o resultado da Eletrobras no primeiro trimestre do ano já era esperado pelos analistas e reforça os argumentos em favor da privatização da companhia, assim como das seis distribuidoras deficitárias:

— O elevado prejuízo das distribuidoras já era esperado porque elas estão sem oxigenação, sem recursos para investir. Com isso, os serviços se deterioram. Além disso, a notícia de que serão privatizadas ajuda a desmotivar as equipes. A tendência é que os prejuízos aumentem cada vez mais. O mesmo acontece com a Eletrobras. E quem paga esses prejuízos é o consumidor e o contribuinte.

Na tentativa de acelerar o processo de privatização da Eletrobras, que sofre resistências no Congresso, o governo publicou ontem um decreto que vai permitir ao BNDES dar início aos trabalhos para contratar os estudos de modelagem da operação. O banco só não poderá assinar o contrato com a consultoria especializada antes de o Legislativo aprovar o projeto que trata da privatização da companhia.

O decreto altera outro, editado no dia 19 de abril, que incluiu a empresa no Plano Nacional de Desestatização (PND), mas paralisou todo o processo, condicionando os procedimentos à aprovação do projeto no Congresso. Segundo técnicos envolvidos nas discussões, o novo decreto altera de forma significativa o processo porque o governo havia ficado “engessado”.

— O governo está sendo prudente. Se esperar a aprovação do projeto para dar início aos estudos, o ano vai acabar e nada será feito — concordou o relator do projeto de privatização na comissão especial criada na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), para quem o Planalto agora fica livre para agir sem atropelar o Congresso.

GOVERNO MANTÉM PLANO DE VENDA ESTE ANO

Aleluia espera iniciar a discussão do seu relatório no fim de maio. Ele explicou que as alterações no texto original, como o aumento de recursos para a revitalização do Rio São Francisco, foram negociadas com o governo para facilitar a aprovação. Embora a privatização enfrente forte resistência no Congresso — especialmente nas bancadas regionais interessadas em indicações em subsidiárias como Furnas e Chesf — e entre sindicatos de funcionários, o deputado acredita que a proposta será aprovada com facilidade na comissão especial. Para ele, a queda do lucro no primeiro trimestre reforça a necessidade de privatização:

— Com desempenho desastroso, a Eletrobras não terá condições de fazer os investimentos necessários no setor e caminha muito rapidamente para a perda de relevância.

Em viagem a Nova York, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, voltou a dizer que o Planalto espera que o Congresso aprove, ainda neste semestre, o decreto que permite a privatização da Eletrobras. O governo tem tido o cuidado de tratar a operação como “capitalização” da estatal, já que o plano é emitir novas ações para diluir a participação do governo, que hoje é majoritária.

— A Eletrobras tem que ser capitalizada. Se não for assim, teremos de fazê-lo com investimentos públicos. Estou falando de menos R$ 15 bilhões em saúde, educação, segurança e habitação — argumentou Marun, elogiando o relatório de Aleluia.